Este robô é meu!

Aulas de robótica colocam em prática conceitos matemáticos, biológicos e físicos, desenvolvendo o raciocínio lógico das crianças

Lúcia Nascimento

Objetivos:
Trabalhar conteúdos teóricos de matemática, biologia e física na prática
Desenvolver o raciocínio lógicos
Desenvolver conceitos tecnológicos

 

Thinkstock

Quando você ouve falar em robótica, o que vem à sua cabeça? Provavelmente o primeiro pensamento será sobre projetos de tecnologia de ponta, com cálculos complexos e que exigem conhecimentos avançados, além da aplicação de técnicas de engenharia que passam longe do seu conhecimento e do de seus alunos. Mas essa visão da robótica está muito aquém da realidade.
Na sala de aula, a robótica se assemelha mais a uma grande brincadeira do que a um problema complexo. Em um dos métodos que vêm sendo utilizados Brasil afora, os alunos montam pequenos robôs com ajuda de pecinhas como as de Lego, mas com formatos especiais para a atividade. Há os bloquinhos, as peças de vigas em L, os conectores, as engrenagens, as polias, o motor, os sensores de som e luz e até um minicontrolador. Com as pecinhas, praticamente qualquer projeto pode ser montado. O objetivo de criar robôs? Colocar em prática os conceitos teóricos trabalhados em outras disciplinas, como física, matemática e biologia.
Mas não só. “Ao criar um robô, os alunos também trabalham conceitos tecnológicos e o raciocínio lógico”, afirma Carlos Henrique Matos dos Santos, professor de robótica no Colégio Global, em São Paulo, um dos pioneiros na implantação dessa disciplina no país. O desenvolvimento escolar das crianças se torna mais rápido e a compreensão de temas difíceis fica mais divertida, pois elas podem experimentar como funciona a teoria na prática. Confira seis pontos que você precisa saber sobre o assunto para entrar na onda de diversas escolas públicas e privadas de todo o país.

 

Dica!
Crianças de todas as idades podem participar de aulas de robótica, desde que o tema abordado foque assuntos aprendidos em outras disciplinas daquele ano escolar.

 

1. O que é
É a introdução de conceitos de robótica no ambiente escolar, de modo simples e divertido. Sempre possui caráter interdisciplinar, já que os robôs construídos serão a execução prática de conceitos teóricos aprendidos em outras aulas – principalmente em ciências (física e biologia), matemática e informática.

 

2. Quem pode dar essa aula
No caso do Carlos Henrique, ele fez um curso técnico de mecatrônica e depois foi convidado a lecionar no Colégio Global. Mas qualquer professor que goste de tecnologia e tenha boas ideias pode inserir a robótica nas aulas – se ela não for uma disciplina independente na grade horária. Há empresas que fornecem capacitação para que os professores saibam como trabalhar a robótica dentro da realidade de seus alunos.

 

3. Material usado
A robótica em ambiente escolar é desenvolvida com a utilização de kits padronizados. Esses kits são produtos comerciais, fabricados por poucas empresas, que em sua maioria utilizam software e hardware proprietários, ou seja, aqueles que a escola precisa pagar para utilizar. Mas também há disponível a chamada robótica livre, que busca soluções livres em substituição aos kits comerciais e proprietários. Para saber mais sobre a robótica livre, acesse www.roboticalivre.org.

 

4. Duração da aula e produção
No Colégio Global as aulas são semanais e duplas, de 140 minutos. “Nos 15 minutos iniciais leio a atividade da aula, contextualizo o tema e digo qual será o projeto que os alunos vão elaborar”, explica Carlos Henrique. Depois disso, a sala é dividida em grupos de até quatro alunos e eles precisam se organizar para, ao final da aula, estarem com o projeto pronto. Parece pouco tempo, mas ao final dos 140 minutos, a cada semana, os grupos apresentam seus robôs para a turma.

 

5. Vantagens
Quem não adoraria voltar ao banco escolar e saber que, ao invés de decorar funções e nomes, vai aprender os mecanismos de funcionamento do corpo humano na prática? Ou, ainda, que aqueles conceitos complicadíssimos de matemática e de física vão se transformar em um robô incrível? Essa é a principal vantagem do curso de robótica escolar: transformar em prática aquilo que antes ficava apenas no campo hipotético. Além disso, há o desenvolvimento do raciocínio lógico, a ampliação dos conhecimentos tecnológicos e o aprendizado do trabalho em grupo.

 

6. Trabalho em grupos
Nas aulas de Carlos Henrique os alunos são divididos em grupos de no máximo quatro alunos e a cada aula os grupos devem ser diferentes, para estimular a socialização. Dentro do grupo, cada um recebe uma função diferente. Um dos alunos vai organizar as tarefas e decidir quais peças serão usadas na montagem do robô. O outro será o construtor, que deverá seguir as instruções do professor na montagem das peças. O terceiro se encarregará da programação feita em computador, para que o robô obedeça às funções propostas pelo tema da aula. Por fim, o quarto aluno será o líder da equipe e, ao final do projeto, apresentará um pequeno relatório sobre o robô montado.

 

Minutos finais
Ao final de cada aula os alunos devem apresentar seus projetos, mostrando o desenho inicial (protótipo) e explicando o funcionamento da engenhoca. Os outros grupos podem participar dizendo se o projeto foi criativo e se é uma solução viável – dependendo do caso.

 

Na prática 1
No Colégio Global, as aulas de robótica acontecem há quatro anos. De lá para cá, muitos robozinhos foram criados, com diferentes objetivos. Alguns dos mais interessantes, segundo o professor Carlos Henrique, são os que envolvem as aulas de biologia. Usando as pecinhas e os motores, os alunos criaram, por exemplo, uma mandíbula artificial, que simula o movimento de mastigação. O projeto envolve o uso de softwares simples, em que os alunos programaram o robô, com a ajuda do professor, para abrir e fechar a boca.

 

Na prática 2
Outro projeto fascinante, também no Colégio Global, é o que simula os movimentos do esôfago. Nesse caso o robô simula um “túnel” por onde passa o bolo alimentar, representado na brincadeira com uma bola de pingue- -pongue. Foram colocadas hastes lado a lado e o robô foi programado para abri-las e fechá-las em intervalos determinados, empurrando o “bolo alimentar” esôfago abaixo. A ideia é imitar os movimentos peristálticos que agem do esôfago ao intestino, empurrando o alimento digerido para baixo, até que ele seja expulso do corpo.