Aprendendo a comer bem

A tradicional pirâmide alimentar está passando por modifi cações. Acompanhe as novidades para estimular a alimentação saudável dos alunos

Por Tatiane Vanessa de Oliveira*

Objetivos:
Apresentar a nova pirâmide alimentar para os educadores
Identificar as diferenças entre a nova pirâmide alimentar e a pirâmide brasileira
Identificar os grupos alimentares (construtores, energéticos e reguladores)
Trabalhar alguns conceitos sobre a importância e as funções de cada grupo alimentar
Incentivar uma alimentação equilibrada e variada com base na pirâmide alimentar

 

Foto: Shutterstock

A pirâmide alimentar é um guia que foi criado para ajudar a equilibrar nosso consumo de alimentos diariamente, pois eles são agrupados de acordo com suas funções e seus nutrientes. Uma alimentação variada nos fornece todos os nutrientes necessários para manter nossa saúde. A melhor maneira de buscar uma dieta saudável é incluir alimentos saborosos que realmente façam diferença.


1° andar: grupo dos cereais, raízes e tubérculos São considerados alimentos energéticos, ricos em carboidratos, responsáveis por fornecer boa parte da energia que nosso organismo precisa. Exemplos: arroz, aveia, batata, cereal matinal, farinha, macarrão etc.

2° andar (subdividido em dois grupos): grupo das hortaliças (verduras e legumes) e das frutas São os alimentos reguladores, ricos em vitaminas, sais minerais, fibras e água. Exemplos: acelga, agrião, alface, brócolis, couve, couve-flor, abóbora, abobrinha, berinjela, beterraba, abacaxi, banana, laranja, maçã, mamão, manga, morango, pera, uva, sucos naturais etc.

3° andar (subdividido em três grupos): grupos dos leites e derivados, carnes e ovos, grãos e leguminosas São os alimentos construtores, ricos em proteínas, cálcio, ferro e zinco, fibras e vitaminas. Exemplos: leite, queijos, iogurte, requeijão, atum, carne, frango, peixes, ovo, peito de peru, ervilha, feijão, grão-debico, lentilha etc.

4° andar (subdividido em dois grupos): grupos dos óleos e gorduras e dos açúcares e doces São os alimentos energéticos extras, ricos em calorias, colesterol e com poucos nutrientes. Devem ser consumido moderadamente e até mesmo evitado em alguns casos, pois o nosso organismo não consegue aproveitar esses alimentos. Exemplos: azeite, maionese, margarina, óleo, achocolatado, açúcar, doce em calda, em pasta ou de corte, frutas secas, geleia, mel etc.

 

Tatiane Vanessa de Oliveira (CRN3 - 18797) é Doutora em Ciências (InCor-USP), especialista em Nutrição Clínica (UGF) e sóciadiretora da Via Nutricia - Consultoria & Assessoria Nutricional. Site: www.vianutricia.com.br. E-mail: tatianeoliveira@vianutricia.com.br.


Dica esperta!
Uma regra básica para entender a pirâmide alimentar é pensar que conforme vamos subindo os andares, eles vão diminuindo e, consequentemente, menos devemos consumir de cada grupo.

 

 




A nova pirâmide alimentar. Quais são as modificações?
O conceito de pirâmide alimentar está mudando. As informações são fresquinhas e estão começando a circular entre os especialistas no Brasil. Há algum tempo vem surgindo uma discussão sobre possíveis mudanças na disposição e composição da pirâmide alimentar e essas mudanças já foram aderidas pelos Estados Unidos. Em 2005, os Estados Unidos apresentaram uma nova pirâmide de distribuição vertical, destacando fatores como idade e atividade física, e recentemente (em 2010) fizeram uma revisão dessa pirâmide destacando alguns pontos importantes para prevenção de doenças e diminuição da prevalência de obesidade. No Brasil, ainda não consta a nova pirâmide como um padrão no Ministério da Saúde, mas alguns especialistas vêm discutindo sobre essa possibilidade e é possível que em breve a pirâmide brasileira seja revisada.

 

Pirâmide brasileira x americana
As principais diferenças da pirâmide norte-americana (publicada em 2005 e revisada em 2010) em relação à pirâmide brasileira são:
A leitura da pirâmide alimentar passa ser na vertical, o que é criticado por alguns especialistas, pois não permite a noção exata de proporção
As porções são dadas em gramas ou xícaras por dia, o que pode dificultar o porcionamento
Em destaque, fica a prática de atividade física na forma de exercícios, lazer, esportes e uma vida ativa, além da ingestão adequada de calorias para cada estágio da vida
Os carboidratos continuam em destaque, mas dando preferência para os integrais
As gorduras, em especial as gorduras saudáveis mono e poli-insaturadas, encontradas em óleos vegetais, peixes, castanhas e nozes, passam a ter destaque, e orienta-se a redução de gordura saturada (gordura sólida)
A inclusão de castanhas, nozes e amêndoas na alimentação é estimulada, pois são excelentes fontes de proteínas, gorduras saudáveis, vitaminas e sais minerais
Em destaque fica também a importância de se aumentar a ingestão e a variedade de frutas, legumes e verduras diariamente
Em relação às fontes de proteínas, sugere-se uma escolha mais saudável, ou seja, aquelas que estejam associadas a gorduras saudáveis (ex.: soja e peixes)
Recomenda-se também o aumento do consumo de leite e derivados livres de gorduras ou desnatados e produtos a base de soja
Para crianças maiores de 5 anos, recomenda-se também o consumo de alimentos fortificados em vitamina B12, assim como os cereais fortificados
Outro destaque é a redução da ingestão de sódio de 2,3 mg/dia para 1,5 mg/dia, também recomendado para crianças


Saiba mais!
Você encontra a nova pirâmide americana, simplificada, em inglês, no site http://teamnutrition.usda.gov/Resources/mpk_ poster2.pdf

 

 

 

Fique de olho ainda nos alimentos que devem ser consumidos com cautela ou mesmo evitados para a prevenção de doenças:
Alimentos ricos em gorduras trans, como os industrializados (bolachas, bombons, pães, sorvete). Hoje essa informação já consta nos rótulos dos alimentos, possibilitando escolhas mais saudáveis
Alimentos ricos em gorduras saturadas: carnes vermelhas, manteiga e leites integrais
Alimentos ricos em carboidratos refinados: açúcar, massas e pães feitos com farinha branca, ou seja, refinada e destituída de todas suas fibras e vitaminas originais

A grande vantagem é propor diferentes tipos de cardápio para diferentes tipos de pessoa. Aproveite o tema para trabalhar atividades com as crianças.


Conhecendo os grupos alimentares

Objetivos:
Identificar os grupos alimentares (construtores, energéticos e reguladores)
Trabalhar alguns conceitos sobre a importância e as funções de cada grupo alimentar
Incentivar uma alimentação equilibrada e variada com base na pirâmide alimentar

Faixa etária: 1º ao 5º ano
Duração: 2 aulas

Primeira aula

Pirâmide alimentar brasileira
Folha de sulfite
Caneta

1. Solicite que todos os alunos anotem em uma folha de sulfite o que eles consumiram no almoço ou no jantar do dia anterior ou do mesmo dia
2.
Depois que eles anotarem, apresente a pirâmide alimentar brasileira, dividida em andares, conforme citado acima
3. Explique a função de cada um dos grupos alimentares (construtores, energéticos e reguladores), mantendo a interação e participação dos alunos durante sua exposição. Exemplos:
Os alimentos energéticos, como arroz, pães, macarrão, batata, biscoito, etc. são os alimentos que nos fornecem energia e que devemos consumir em maior quantidade, para poder correr, andar de bicicleta etc.
Os alimentos reguladores, como frutas, verduras e legumes, nos fornecem vitaminas, minerais e fibras para o bom funcionamento do corpo. A vitamina A, por exemplo, presente no mamão e na goiaba, contribui para o funcionamento da nossa visão
Os alimentos construtores, como carnes, feijão, leite e derivados são fontes de proteína, ajudam a construir os músculos das pernas, dos braços e deixam os ossos e os dentes mais fortes
No último andar, temos os alimentos energéticos extras, como doces, gorduras, chocolates, que devem ser consumidos em pequenas quantidades

4.
Após a explicação peça para os alunos identificarem, na mesma folha em que anotaram a sua refeição, os grupos alimentares que estavam presentes e os que ficaram faltando
5.
Finalize destacando a importância de se ter um alimento de cada grupo numa mesma refeição para garantir o consumo de todos os nutrientes e assim prevenir doenças e manter a saúde


 


Preparação para a próxima aula

No fim da atividade divida a sala em quatro grupos. Cada grupo deverá trazer na próxima aula alimentos para a montagem de uma pirâmide alimentar, ou seja, cada grupo ficará responsável por um andar da pirâmide. Para facilitar, faça uma lista com os alimentos que eles devem trazer, mas não identifique a qual grupo o alimento pertence. Envie um texto aos pais explicando o objetivo da atividade e solicitando o material que será utilizado na próxima aula. Contextualize para os pais a importância do tema abordado.


Segunda aula

Alimentos construtores, energéticos, reguladores e energéticos extras
TNT branco para cobrir a mesa
Caneta colorida
Cartolina

1. Separe as crianças em grupos: construtores, energéticos, reguladores e energéticos extras
2.
Cubra uma mesa com TNT branco e faça o desenho de uma pirâmide dividida em andares
3.
Misture todos os alimentos trazidos pelos alunos e, aleatoriamente, escolha um aluno de cada grupo para pegar um alimento e colocar no andar correspondente a seu grupo. Faça isso até distribuir todos os alimentos na pirâmide
4.
Você pode também transformar a brincadeira num jogo, em que cada alimento certo vale um ponto para o grupo.
5.
Para tornar o jogo mais difícil, você pode elaborar cartões com perguntas mais específicas sobre cada alimento e suas funções. Para cada alimento colocado na pirâmide faça uma pergunta e o acerto valerá mais um ponto.
6.
Após a resposta do aluno, complemente com uma explicação ou corrija se necessário.
7.
Finalize a atividade pedindo para os alunos montarem uma refeição (almoço ou jantar) com base em todos os pontos aprendidos em sala e com alimentos da preferência deles.

 

Dica esperta!
A refeição elaborada pelos alunos pode ser enviada aos pais como sugestão de cardápio para um dia, o que poderia incentivar hábitos alimentares mais saudáveis dentro de casa.