As redes sociais invadiram a escola. E agora?

Saiba como transformar Twitter, Facebook, Orkut e outros recursos virtuais em aliados da aprendizagem

Por Juliana Lambert

Objetivos:

Promover a integração e a troca de ideias entre aluno e professor por meio das redes sociais
Estimular a construção de novos conhecimentos, incentivar a pesquisa e o gosto pela leitura
Alertar sobre os perigos virtuais e incentivar o uso consciente da internet

Faixa etária: 2º ao 5º ano


 

Toda a turma curtiu o link que a Giovana postou no Facebook. O Pablo está no Twitter e outros dois alunos disputam a liderança no jogo Colheita Feliz do Orkut. Se você tem a sensação de “peixe fora d’água” quando o assunto é rede social, está na hora de transformar a internet em aliada. “Ao interagir por meio de redes sociais, o professor é visto como mais humano e parecido com os alunos. A classe adora descobrir preferências, opiniões e até informações pessoais dos professores.

 

Mas o educador não precisa sentir-se obrigado a participar das redes, deve fazer parte se quiser e exatamente no nível de exposição em que se sente à vontade”, aconselha a doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, Betina Von Staa, que é autora dos livros Eles Sabem (Quase) Tudo: O que Ainda É Preciso Ensinar e o que se Pode Aprender com Nativos Digitais e Tecnologia na Educação: Reflexões sobre Docência, Aprendizagem e Interação entre Jovens e Adultos (Editora Melo). E quem disse que rede social não combina com Ensino Fundamental I? A autora garante que é possível interagir com os pequenos pela internet. “As redes sociais devem conter recomendações de estudo, textos, fotos e vídeos interessantes. O importante é estimular a reflexão, promover mais leitura e observação dos conteúdos”, esclarece.

 

Para Anderson da Silva Vieira, autor do livro Redes Sociais para Pais e Filhos da Diversão ao Pânico (Editora Alta Books), o educador deve ficar atento para não tornar a rede social uma ferramenta de ensino que obrigue o aluno a ficar mais do que 30 minutos em frente ao computador. “O ideal é o educando acessar o perfil do professor, obter ou compartilhar as informações necessárias e ponto final”, avisa.

 

Dica de leitura!

 

• Redes Sociais para Pais e Filhos – da Diversão ao Pânico O objetivo é ensinar pais e filhos a usar redes sociais com consciência e responsabilidade. O autor ensina diversas técnicas e dicas de segurança e também mostra o que fazer quando o pior acontece. Autor: Anderson da Silva Vieira Ilustrações: Antonio Eder Editora: Alta Books Preço: R$ 31,41 Onde encontrar: http://altabooks.com.br

 

Nativos digitais

 

Segundo a educadora Paty Fonte, autora do livro Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a Paixão de Educar e o Desafio de Inovar (Wak Editora), o objetivo principal é ensinar o aluno a navegar de forma segura, positiva e eficaz, transformando a tecnologia em grande aliada do processo ensino-aprendizagem. “Nossos alunos são nativos digitais e anseiam pelo aprendizado que explore todas as habilidades e potencialidades que conhecem pela web. Temos que transformar a escola em um espaço condizente com a era em que vivemos. Porém, sabemos que a realidade brasileira ainda está distante das tecnologias e que há resistência por parte dos professores. A escola deve elaborar um projeto para usar os recursos do ambiente virtual, lembrando que a finalidade técnica não pode ser pensada sem a intencionalidade pedagógica”, recomenda.




Dicas para estudar pela rede

 

A internet pode estimular o aluno a adquirir o gosto pela pesquisa. “Quanto mais rotineiro for o hábito de propor estudo pela internet, mais regularmente os alunos farão uso desses espaços para encontrar material de reflexão e para postar trabalhos. Se um professor tem um blog muito ativo, os alunos tendem a acompanhá-lo. Se há escolas que passam tarefas pela rede, os alunos e pais incluem o acesso em suas rotinas”, comenta Betina Von Staa. Mas é preciso tomar alguns cuidados na condução do estudo: “Diante de tantas possibilidades de busca, a própria navegação se torna mais sedutora do que o necessário trabalho de interpretação.

 

Os alunos tendem a dispersar-se diante de tantas conexões possíveis, de endereços dentro de outros endereços, de imagens e textos que se sucedem ininterruptamente. Tendem a acumular muitos textos, lugares e ideias que ficam gravados, impressos ou anotados. Portanto, cabe ao professor planejar o que será trabalhado e orientar os alunos”, sugere Paty Fonte.

 

É proibido proibir

 

As redes sociais devem ser acessadas de forma saudável e produtiva dentro e fora do horário escolar. “Não há motivo para proibir. No entanto, é imprescindível estabelecer regras de uso. Há momentos para acessar e para desconectar. Existem informações que podemos postar e outras que não devemos publicar de maneira alguma. Quanto mais os alunos conviverem com tecnologia no ambiente escolar, mais vão aprender a usá-las de forma produtiva e responsável”, diz Betina. O autor Anderson da Silva Vieira também defende a ideia de que é proibido proibir. “É válido impor limites e restrições, ou seja, usar as mesmas regras utilizadas para o computador da escola (não permitir acesso a jogos ou sites pornográficos, por exemplo) e também em relação a outras normas de boa convivência”.

 

Cem toques cravados

 

Ser objetivo na hora de escrever é uma dificuldade enfrentada pela maioria das pessoas. Mas será que é possível criar contos em apenas cem caracteres? Para Edson Rossatto, autor do projeto Cem Toques Cravados (www.cemtoquescravados.com), não é sacrifício. “O projeto começou como uma resposta à minha frustração de não ser desenhista. Vários amigos quadrinistas passaram a publicar tirinhas com certa periodicidade em seus blogs, e eu com aquela vontade de fazer a mesma coisa.

 

Mas não sabia — e ainda não sei — desenhar nada. Entretanto, sabia escrever. Se eles podiam fazer HQs com poucos quadrinhos, por que eu não poderia fazer algo com poucos caracteres? Resolvi me lançar um desafio: contar uma história com o menor número de toques que eu conseguisse. Na primeira tentativa, gostei do texto e contei 98 toques. Logo pensei: será que consigo ajustar para cem? Mudei duas palavrinhas por sinônimos e alcancei o resultado esperado. Desde então, não consigo mais parar de escrever nanocontos com exatos cem toques”, conta o escritor.

 

A dica para quem pretende se arriscar na brincadeira é usar temáticas do cotidiano, que podem ser visualizadas por qualquer pessoa. “Se digo que fui a um aniversário e que o bolo estava gostoso, o leitor imagina: convidados, parabéns, bexigas, assoprar velinhas e tudo o que tem numa festa de aniversário. Por isso, não preciso ficar descrevendo essas coisas”, exemplifica.



Armadilhas virtuais

 

• “Big Brother da vida real”: a internet é um espaço público e todos podem ter acesso ao que está registrado. “O que não é para todo mundo ver, inclusive os alunos, não deve ser postado. Evite linguagem inadequada, xingamentos e críticas (até mesmo ao time rival), bem como fotos constrangedoras ou posturas políticas e ideológicas polêmicas. Quanto às revelações sobre rotina, família e hábitos, cabe ao professor avaliar se pretende compartilhá-las ou não”, aconselha Betina.



• Bom senso é tudo:
não há limite de amizade entre professores e alunos, mas é preciso ponderar e ter bom senso. “Não dá para misturar questões escolares com familiares, por exemplo. A ética ensina que o educador não deve levar os problemas pessoais para dentro da sala de aula e o mesmo vale para o mundo virtual”, recomenda Anderson.



• Perigo à vista: o mundo virtual pode ser tão arriscado quanto o mundo real. Dar exemplos práticos é um bom caminho. “Utilize notícias e vídeos que relatam os riscos das redes sociais, mostrando crimes virtuais que tenham ocorrido no Brasil e no mundo, como roubos, assassinatos, sequestros, perdas financeiras e calúnias”, sugere o autor.

 

Wiki em sala de aula

 

Uma ferramenta virtual que ganha cada vez mais espaço na escola é a Wiki. “Possibilita a integração de páginas que podem ser editadas e reeditadas por qualquer pessoa. Essa ferramenta se alastrou e invadiu as salas de aula a partir do ambicioso projeto da Wikipédia (enciclopédia criada pelos próprios usuários da internet). Apesar de poder ser editada e reeditada, há versões que possibilitam um maior controle, e o professor pode coordenar os movimentos de todos os alunos”, explica a professora de Língua Portuguesa Gabriela Lara da Cruz Lucas. Para Gabriela, a ferramenta é extremamente valiosa para trabalhar com produção textual: “Os alunos podem postar seus textos para que os próprios colegas corrijam. Também permite que escrevam comentários ou produzam um texto coletivo.

 

Uma das reclamações constantes dos professores de Língua Portuguesa é a dificuldade do aluno de se envolver com a escrita e a leitura, e o gênero virtual permite uma nova maneira de envolvimento com a escrita. A educação não pode negar que blogs, twitter, facebook, wikipédia estão muito presentes na vida dos alunos, e trazê-los para a sala de aula com um objetivo pedagógico parece ser uma boa oportunidade para amenizar resistências”, afirma.




 

Acompanhe as atividades sugeridas pela educadora Paty Fonte para aproximar o mundo virtual da sala de aula:

 

Grupo de compartilhamento

 

1. Crie um grupo de compartilhamento, ou seja, um grupo de troca que pode ser encontrado no Yahoo ou Gmail.

 

2. Será necessário que cada aluno tenha um e-mail de contato, pois a comunicação entre os membros do grupo será feita por meio dele.

 

3. Escolha com os alunos um nome e uma ilustração para representar o grupo. Uma boa dica é promover um concurso.

 

4. Discuta as regras e combine o que será ou não permitido compartilhar e como será feito.

5. Insira as regras na página do grupo para que todos possam sempre relembrá-las.

 

6. Participe ativamente do grupo, enviando slides, textos, ilustrações, trabalhos digitalizados e até fotos de diferentes momentos na escola.

 


Dica esperta!

 

O grupo de compartilhamento exige moderação do professor, mas a tarefa também pode ser dividida com um aluno diferente a cada semana.


Você sabia?

 

A atividade é importante para unir o grupo e trabalhar a questão da autonomia, estimular a pesquisa, a troca de experiências e de opiniões.


Intercâmbio cultural

 

1. Crie um endereço de e-mail único para representar o grupo. Todos poderão ter o login e a senha, porém é fundamental ficar atento e moderar sempre!

 

2. Os alunos deverão trocar e-mails com outros alunos da mesma faixa etária, mas de localidades diferentes. Com isso, se a escola estiver localizada no Nordeste, os alunos poderão se comunicar com crianças do Sul ou do Sudeste.

 

3. Incentive a turma a produzir textos para contar como são as aulas, o que mais gostam de fazer e elaborar perguntas para os colegas de outras realidades.

 

4. Também será possível trocar fotos e atividades, vídeos e slides.


Dica esperta!

 

Antes de iniciar o trabalho, faça o primeiro contato com a escola ou professor da turma que os alunos pretendem se comunicar. A cada mensagem recebida, o trabalho é ampliado e cabe ao professor orientar para que seja enriquecedor.


Você sabia?

 

A atividade de intercâmbio já foi muito utilizada nas décadas 1980 e 1990 por meio de cartas. É uma chance de entrar em contato com pessoas diferentes, descobrir como o mundo é diverso e ampliar a visão de mundo dos alunos.


Mural virtual

 

1. Converse com os alunos sobre o mundo virtual e questione quem tem acesso, se gostam da comunicação pela internet etc.

 

2. Aborde os sites de relacionamento e liste os mais citados pelas crianças.

 

3. Aproveite para listar também os pontos positivos e negativos dos sites de relacionamento, assim como os cuidados que devemos ter ao nos comunicarmos com pessoas ainda desconhecidas.

 

4. Proponha transformar o espaço virtual em uma realidade, dentro de sala de aula, para que todos se conheçam melhor. Assim, quebrará o gelo entre os alunos e facilitará a socialização, o entrosamento, além de você poder conhecer mais a fundo os gostos, preferências, necessidades e interesses do grupo.

 

5. Ofereça um perfil para cada aluno completar.

 

6. Organize um mural em que a margem deve ter o formato de um monitor. Pode acrescentar um mouse para incrementar.

 

7. Com todos os perfis prontos, organize a apresentação feita pelos próprios alunos. Você também poderá dar pistas para o grupo adivinhar de quem é o perfil.

 

8. Fixe os perfis no mural, montando a rede de amigos.


Dica esperta!

 

Monte também o seu perfil e participe da atividade em “pé de igualdade” com o grupo.



Blog da turma

 

1. Prepare um blog da turma e faça com que os alunos participem de todo o processo, desde a escolha do servidor, visual, tipo de fonte e nome do blog.

 

2. Incentive a turma a produzir textos e a pesquisar assuntos que poderiam ser interessantes para abordar.

 

3. Estimule a pesquisa e interação com outros autores e ilustradores.

 

4. Organize no blog planos de trabalho, oficinas, pesquisas e outras atividades, para que os alunos possam pesquisar no próprio blog.


Dica esperta!

 

A atividade pode ter continuidade em outras aulas, com a criação em conjunto de comunidades de interesse da classe ou baseadas nas diferentes disciplinas. Vale permitir que os alunos se apresentem aos colegas por meio de fotos, vídeos e músicas preferidas para formar um novo mural com as preferências da classe.


Siga a classe!

 

1. Que tal fazer um twitter da classe com todas as informações sobre o conteúdo ou algo importante que aconteceu em sala de aula?

 

2. Durante a semana, você poderá atualizar as informações para que as crianças possam acompanhar.

 

3. Estabeleça que a cada final de semana um aluno seja responsável e possa incluir ideias de como aproveitar o conteúdo que aprendeu em sala de aula. Mas atenção: é preciso ser conciso, pois são apenas 140 caracteres!


Dica esperta!

 

O blog é uma ferramenta importante e traz a opção de avaliar, inserir e substituir conteúdos a qualquer hora, além de receber comentários e sugestões que estimulam a troca de experiências.


Para curtir e comentar

 

1. Crie uma página da turma no Facebook.

 

2. Insira a cada dia textos curtos e imagens relacionadas ao conteúdo para que os alunos possam curtir e comentar.


Dica esperta!

 

Reserve a parte “mensagens” para que os alunos possam esclarecer dúvidas. É um local mais reservado e pode ser um ótimo recurso para conhecer melhor a turma e uma oportunidade para que as crianças mais tímidas esclareçam dúvidas.


Por dentro do mundo virtual

 

• Chats: salas de bate-papo virtual
• MSN Messenger: programa de mensagens instantâneas criado pela Microsoft Corporation.
• Facebook (www.facebook.com): rede social criada em 2004 por Mark Zuckerberg, um ex-estudante da Universidade de Harvard.
• Myspace (www.myspace.com): criada em 2003, proporciona uma rede interativa de fotos, blogs e perfis de usuários.
• Orkut (www.orkut.com): rede social filiada ao Google que foi criada em 2004. Também oferece jogos e outras opções de diversão.
• Twitter (twitter.com): permite aos usuários enviar e receber atualizações em textos de até 140 caracteres, os conhecidos tweets.
• Youtube (www.youtube.com): site para carregar e compartilhar vídeos em formato digital.
• Blog: funciona como diário ou informativo e permite a atualização rápida a partir de textos curtos, conhecidos como “posts”.