O universo infantil de Candido Portinari

Que tal aproveitar as telas com temática lúdica do grande pintor brasileiro para ensinar as crianças a lerem com os olhos e, depois, recriarem releituras das obras apresentadas?

Objetivos:
Permitir a interação com diferentes linguagens, incluindo registros verbais e não verbais;
Propiciar a contextualização e a ligação do tema ao cotidiano das crianças;
Desenvolver a sensibilidade, a curiosidade e o gosto infantil pela arte;
Ampliar os conhecimentos gerais dos alunos;
Promover atividades artísticas baseadas nas obras estudadas.

Faixa etária: do 1º ao 4º ano.



Meninos Soltando Pipas, 1947, óleo sobre tela, 60 x 74 cm


A imagem, basicamente, é uma síntese que oferece traços, cores e outros elementos visuais em simultaneidade. Por sua vez, ler uma imagem é um processo pelo qual se busca uma maior compreensão do que é visto e, em consequência, do mundo, da existência e até do futuro. Normalmente, esse procedimento conduz à descoberta de representações diferenciadas, que permitem julgamentos e um constante ajustamento dos valores, a partir da decodificação e qualificação de percepções. Nesse contexto, como a releitura de uma imagem nada mais é que a interpretação pessoal, feita a partir da visão que cada indivíduo possui do seu cotidiano e do que o cerca, ela só pode acontecer quando ele passa a ter a capacidade de captar uma mensagem transmitida para, então, decodificá-la de uma nova forma.



Para saber mais:
A interpretação da imagem: subsídios para o ensino de arte - Terezinha Losada (Editora Mauad)
Educar com a imagem - Nazareno Taddei (Editora Loyola)
Imagens que falam: leitura da arte na escola - M.H.W. Rossi (Editora Meditação)



Palhacinhos na Gangorra,1957, óleo sobre madeira compensada, 54 x 65 cm
Menino com Estilingue, 1947, óleo sobre tela de tecido, 1 m x 60 cm (esta é a primeira obra do pintor com este tema)
Moleques Pulando Cela, 1958, óleo sobre tela de tecido, 59 x 72 cm

Após apresentar as imagens selecionadas (que podem ser extraídas de livros, revistas, catálogos e impressas em transparências, por exemplo) , com base no roteiro para treinar o olhar sobre as obras de arte, que foi criado pelo pesquisador norte-americano Robert William Ott, você deve pedir às crianças que observem as obras e então:


1. Descrevam - Para tanto, oriente-as a olharem cuidadosamente a imagem, momento em que poderão identificar e interpretar detalhes visuais.
2. Analisem - Para estimular os alunos a prestarem atenção na linguagem visual e nos mais variados elementos que a compõem (como cores, texturas, dimensões, materiais, suportes, técnicas, etc. ) , faça uma série de perguntas, para provocar a reflexão entre eles.
3. Interpretem - A partir das ideias, interpretações, sentimentos e em oções das crianças, crie possibilidades pedagógicas para trabalhar a temática da imagem. Liste-as e eleja, ainda com a ajuda das crianças, as que correspondam aos objetivos do ensino. Mostre também outras manifestações visuais que tratam do mesmo tema e estimule-as a fazer comparações (entre cores, formas, linhas, texturas, organização espacial etc. ).
4. Fundamentem - Junto aos alunos, elabore uma lista com os aspectos que provocam curiosidade sobre a obra, o autor, o processo de criação, a época etc.
5. Revelem - Diante das novidades, certamente as crianças estarão estimuladas a produzir. Aproveite a ocasião e dê a elas a chance de desenhar; experimentar representações em três dimensões ; investigar materiais plásticos, formas, cores, texturas e linhas, além de exercitar as habilidades de recorte, colagem, modelagem, pintura etc.



1. Leitura - Esse aspecto por meio de questões que remetam à temática abordada:
Quais personagens aparecem na imagem?
Como eles estão vestidos?
Em que lugar eles estão?
O que fazem?

2. Contextualização - Identifique as obras apresentadas com seus respectivos nomes e o ano em que foram produzidas. Em seguida, chame atenção para as legendas e, então, peça para a criançada relacionar elementos que indiquem a época de produção, tais como vestimentas, atividades e locais retratados. Feito isso, instigue novamente a releitura da obra, com questões referentes à temática abordada:
Quem seriam essas crianças?
Elas usam o mesmo tipo de roupa que vocês? Por quê?
De que época elas poderiam ser?
Vocês conhecem as brincadeiras que elas realizam? Elas têm alguma alguma semelhança com as brincadeiras atuais? Quais?
Vocês também brincam dessa forma? Que outras brincadeiras realizam?
O local onde brincam parece com o lugar onde vocês vivem? Por quê?

3. Produção
Sugira que as crianças reproduzam artisticamente (por meio de desenho, colagens, pintura etc.) uma das brincadeiras dos quadros de Candido Portinari ao lado de uma brincadeira atual.
Na sala de informática, faça com que acessem www.portinari.org.br/candinho, visitem a galeria, brinquem com Candinho e conheçam a história do menino.
Depois, na parte externa da sala de sala, peça para a criançada se dividir em pequenos grupos, cuja função será a de reproduzir uma das obras de Candido Portinari, numa espécie de quadro vivo. Na sequência, deixe que elas descubram livremente o prazer das brincadeiras eternizadas nas obras do pintor brasileiro.
Por fim, deixe os alunos expressarem suas opiniões sobre as atividades realizadas e também contem o que aprenderam sobre e com Candido Portinari.


Breve biografia de Cândido Portinari:

Filho de imigrantes italianos, ele nasceu em 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café, em Brodósqui, interior do Estado de São Paulo. Desde cedo, embora só tenha cursado o primário, manifestou sua vocação artística. Aos 15 anos, foi para o Rio de Janeiro, onde estudou pintura na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1928, ao participar da Exposição Geral da Escola, ganhou uma viagem para Paris, cidade onde morou por dois anos. Nesse período, a saudade se tornou sua maior fonte de inspiração, tanto que ele passou a retratar o povo brasileiro de uma maneira bastante inovadora. Em 1931, ao retornar ao Brasil, além de participar de uma fase de mudanças nos conceitos estéticos e culturais, começou a obter reconhecimento internacional. Em 1948, por motivos políticos, se autoexilou no Uruguai. Pintou cerca de cinco mil obras, de pequenos esboços a gigantescos murais, entre as quais é possível encontrar muitos quadros com temática lúdica, que retrata a singeleza das brincadeiras infantis, vivenciadas por ele mesmo. Curiosamente, Cândido Portinari faleceu no dia 6 de fevereiro de 1962, vítima de intoxicação causada pelas próprias tintas que usava.