Qual a sua postura como docente?

Até pouco tempo, bastava ser um professor tradicional, mas, hoje, como o ensino prima pela qualidade e a tendência mais forte é o socioconstrutivismo, é preciso mudar para se tornar um educador

Objetivos:
Estabelecer a diferenciação entre o papel do professor e o do educador.
Promover uma reflexão sobre a postura docente.
Provocar mudanças de comportamento e hábitos em sala de aula.

Faixa etária:
Crianças a partir do 1
° ano.

 

O ensino no Brasil continua ligado à ascensão social. Por isso, desde cedo, as crianças são sugestionadas a ir à escola. Mas, entre elas, algumas concordam com Rubem Alves e, por acharem a escola chata, o fazem apenas por imposição dos pais. Outras já vão de livre e espontânea vontade. De qualquer forma, já no ensino fundamental, todas deveriam se entusiasmar com o universo do saber, para aprender o mínimo necessário.

 

Segundo o professor Cláudio Marques, capacitarse, formar-se e assimilar conhecimento, além de ter acesso às informações globalizadas, são requisitos essenciais e de forte impacto na vida dos indivíduos, independente dele ser aluno ou professor.

 

Partindo desses pressupostos, já não cabe mais o papel de professor tradicional, que apenas ensina o que é preciso, de acordo com a faixa etária da criançada. Para atender às exigências atuais, inspirar e entusiasmar os alunos em direção ao saber, é preciso se tornar um educador, com capacidade de evidenciar a participação do educando como sujeito da própria educação. Portanto, a partir de atitudes provenientes de estudos constantes e da busca incessante pelo conhecimento, novas habilidades - entre as quais saber pensar, ordenar ideias, defender opiniões, comunicar, gerenciar conflitos, persuadir etc. - devem ser incorporadas à postura docente.

 

Rede Nacional de Formação Continuada de Professores
Ela foi criada em 2004, com o objetivo de contribuir para a melhoria da formação dos professores e, em consequência, dos alunos. Seu público-alvo são os profissionais de educação básica dos sistemas públicos. Quanto às áreas de formação disponibilizadas pela rede, elas englobam Alfabetização e Linguagem, Educação Matemática e Científica, ensino de Ciências Humanas e Sociais, Artes e Educação Física. Já em relação às instituições de ensino superior públicas, federais e estaduais participantes, cabe a elas produzir materiais de orientação para cursos à distância e semipresenciais, com carga horária de 120 horas. Nesse contexto, além de coordenar o desenvolvimento do programa, que é implementado por adesão, em regime de colaboração, pelos Estados, municípios e Distrito Federal, o papel do Ministério da Educação é o de oferecer suporte técnico e financeiro. Mais informações:

Secretaria de Educação Básica Diretoria de Apoio a Gestão Educacional
Telefone: 0800 - 616161 / Opção 7
E-mail: rede-seb@mec.gov.br

 

 

A diferenciação entre o professor e o educador

Créditos: shutterstock

Para leigos, ela pode parecer mínima, mas cada tipo de docente tem suas próprias características, que são facilmente percebidas pelas crianças, que passam a fazer comparações e eleger favoritos dentro da escola:
Professor - É o sujeito que repassa conteúdos específicos de uma determinada área, de acordo com o programa proposto pela escola, aos alunos. Sua postura em sala de aula é moldada pela tradição e pela experiência adquirida com o próprio aprendizado e formação. Apesar de se concentrar em suas metas, ele respeita os limites de cada aluno e, sem se envolver emocionalmente com a sala de aula, expressa-se exclusivamente de forma técnica.
Educador - Ele interpreta suas próprias aptidões e comportamentos e utiliza cada ideia proposta no processo de aprendizagem. Dessa forma, ele tenta facilitar o entendimento, motiva e participa efetivamente da busca pela solução dos problemas e de cada experiência de transição, mudança de hábito, comportamento, ampliação das possibilidades sinestésicas, visuais e auditivas da criançada. Em paralelo, por vivenciar as dificuldades e as conquistas em sala de aula, sente prazer, alegria e satisfação, diante dos trabalhos efetuados pelos alunos. Ele também se adequa à realidade encontrada na escola e no seu entorno e, assim, contribui para a construção do caráter dos alunos que, com sua ajuda, aprendem a fazer suas próprias escolhas.

 

A importância da mudança

Como o educador é aquele que, além de repassar aos alunos conhecimentos específicos de uma determinada área, preocupa-se com a formação da criança, tanto no aspecto técnico quanto moral, seu objetivo maior é o de informar e formar cidadãos. No entanto, dentro de qualquer escola, tais ações sempre implicam em rompimentos que, por sua vez, podem resultar na disponibilidade para o outro.

 

Quando isso acontece, a criança percebe e, ao se sentir responsável pelo próprio aprendizado, descobre-se interessada no saber e acaba por demonstrar seu potencial. Em decorrência, a sala de aula também se transforma num ambiente proveitoso e agradável, capaz de propiciar a busca pela solução dos maiores mistérios da vida. Logo, cabe somente ao docente se conscientizar sobre o que é a postura de um educador, porque, somente dessa forma, ele saberá valorizar as ferramentas que tem, com o objetivo de criar uma didática que fará o aluno ter prazer em aprender, superar seus próprios limites, raciocinar, pensar sistematicamente, refletir, idealizar, criar e solucionar problemas e, em consequência, encontrar caminhos para transformar informações em conhecimento.

 

Em meio a tais conceituações, há uma expressão em latim que mostra a essência de todo esse palavreado: "Nemo dat quod non habet." Ao ser traduzida para o português, ela ficaria assim: "Ninguém dá o que não tem." Aproveite essa citação e interiorize- se por alguns minutos, reflita sobre sua postura e anseios como docente e, caso necessário, inicie as mudanças necessárias!

 

Sobre a profissão docente
Conforme explicou Sonia Teresinha de Sousa Peni, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, no programa Salto para o Futuro, da TV Escola, em 23 de outubro de 2009, a atividade de ensino é tão antiga quanto à vida humana, mas o professor somente apareceu como profissional há pouco mais de 300 anos, no século 18, durante a época das lutas por democratização, empreendidas pela burguesia revolucionária. Depois, com a definição de professor como sujeito do ensino, deu-se a formulação de um core curriculum de formação, ancorado na área da pedagogia, que inaugurou o início da profissionalização da categoria.

 

Para saber mais:
Profissão Docente - Pontos e Contrapontos, de Autos diversos (Summus Editorial).
Profissão Docente: Novos sentidos novas perspectivas, de Ilma Passos Alencastro Veiga (Editora Papirus).
Saberes Docentes e Formação Profissional, de Maurice Tardif (Editora Vozes) .