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Pedagogia de Projetos

A prática que hoje é tão difundida surgiu no início do século passado, graças às concepções do renomado educador norte-americano John Dewey


 

Objetivos:
Conscientizar que um projeto, para ser executável, deve seguir algumas etapas.
Estabelecer prioridades e responsabilidades na execução de tarefas que interferem de modo positivo para a conclusão do trabalho.
Perceber que, independente da origem do tema a ser explorado, o que realmente importa é o tratamento que será dado ele.
Faixa etária:
Crianças a partir do 1o ano.

 

Foto: The British Museum
John Dewey (1859 -1952)

Por volta de 1904, ele já defendia que era de vital importância que a educação não se restringisse ao ensino do conhecimento como algo acabado, pois todo o saber e as habilidades que os alunos teriam que adquirir no período escolar, além de significativos, deveriam se integrar à sua vida como cidadão, pessoa, ser humano. De acordo com essa concepção, para colocar a teoria em prática, junto à esposa Alice, John Dewey implantou e dirigiu um laboratório-escola na Universidade de Chicago. Nele, desde cedo, crianças experimentavam e aprendiam conceitos de física e biologia, presenciando e executando uma série de processos, incluindo o preparo de lanches e de refeições, que eram feitos na própria classe. Aos poucos, enquanto suas ideias se tornavam bastante populares, alguns dos seus valores e premissas começaram a se difundir. Mas nunca eles foram integrados na totalidade nas escolas públicas norte-americanas. Anos depois, já no período de Guerra Fria, quando a maior preocupação norteamericana era a de criar e manter uma elite intelectual, científica e tecnológica para fins militares, suas concepções começaram a ser severamente criticadas, a ponto de serem deixadas de lado.

 

Contudo, no período seguinte – que, por sua vez, é chamado pós-guerra-fria – seus preceitos sobre educação ressurgiram, evoluíram e influenciaram a reforma do sistema teórico de muitas escolas.

 

Dica de leitura!

Experiência e Educação
A obra de John Dewey oferece uma filosofia da educação positiva e, ao mesmo tempo em que avalia as práticas tanto das escolas tradicionais como das progressivas, expõe os defeitos de cada uma delas. Ela também considera as questões educacionais atuais, interpreta o significado da filosofia de experiência e as implicações educacionais do método científico, nas quais cada situação de ensino é descrita e concretamente ilustrada. Mas também traz os significados de liberdade, atividades, disciplina, controle e organização de matérias curriculares a partir do contexto da experiência educativa como um processo que implica tanto na continuidade quanto na interação. Com 165 páginas, seu preço é R$ 34,70. Mas informações: Editora Vozes Ltda. (www.editoravozes.com.br)

 

 

"O professor não está na escola para impor certas ideias ou para formar certos hábitos na criança, ele está lá como um membro da comunidade para selecionar as influências que afeta a criança e ajudá-la a responder corretamente a essas influências” (John Dewey)

 

 

Foto: nctelatinocaucus.org
Se a escola visa formar cidadãos, ela precisa desenvolver a autonomia dos alunos

A educação como processo de vida e não como preparação para o futuro
Atualmente, a escola visa formar cidadãos participativos na sociedade, mas para alcançar esse objetivo, de início, ela precisa desenvolver a autonomia nos alunos. Apesar de existir uma série de recursos que atende essa finalidade, entre eles se destaca a Pedagogia de Projetos, que é um instrumento de fácil operacionalização, cuja metodologia de trabalho tem por objetivo organizar a construção dos conhecimentos em torno de metas pré-definidas, de forma coletiva, entre alunos e educadores. Como recurso didático, o projeto se torna atraente porque, além de dar vida a um conteúdo, ele minimiza o papel do professor, enquanto valoriza o desejo dos alunos em aprender. Dessa forma, a atividade de cada criança também se torna determinante na construção do saber, que é edificado a partir da interação com os outros e com meio ao seu redor. Nesse contento, cabe ao educador apenas estimular, observar, mediar, criar situações de aprendizagem significativa e produzir perguntas pertinentes que façam os alunos pensarem a respeito do conhecimento que se espera construir.

 

 

Anote!
É possível executar de dois a três projetos concomitantes com bastante proveito, desde que eles possam abranger diversas áreas de conhecimento. Dessa forma, o desenvolvimento da autonomia da criança – que para solucionar problemas se vê diante da necessidade de ter espírito de iniciativa e de exercer a solidariedade junto aos demais colegas – se oportuniza de uma maneira incomparável.

 

 

A prática da Pedagogia de Projetos
Como a criança é um ser em desenvolvimento, com vontade e decisões próprias, cujas habilidades, atitudes e conhecimentos são adquiridos em função de experiências em contato com o meio, durante a execução de um projeto, ela deve ter uma participação ativa na resolução de problemas para aprender a enfrentar dificuldades. Portanto, os educadores devem estar cientes que, qualquer projeto, tem algumas etapas que devem seguidas. Contudo, independente da origem do tema a ser explorado, o que realmente importa é o tratamento que será dado ele, pois todos os alunos devem se interessar e se envolver no trabalho durante suas diferentes etapas.

 

 

Foto: ctools.umich.edu
Durante a execução de um projeto, as crianças devem ter uma participação ativa na resolução de problemas, para aprender a enfrentar dificuldades

Etapas de um projeto
Intenção – Na primeira etapa, o professor tem que organizar e estabelecer objetivos, de acordo com as necessidades de seus alunos para, depois, se instrumentalizar e problematizar o assunto, visando direcionar a curiosidade das crianças para a montagem do projeto.

 

Preparação e planejamento – Na segunda fase, além de planejar o desenvolvimento do projeto em si, a partir das atividades principais e da coleta do material de pesquisa, ele deve definir o tempo de duração, as estratégias essenciais para realizá-lo e como se dará o encerramento dos estudos sobre o tema. Em paralelo, junto aos alunos, ele tem que elaborar um registro de conhecimentos prévios (o que já é sabido), de dúvidas, de questionamentos e de curiosidades (o que se quer saber). Em seguida, ainda se faz necessário determinar as fontes de pesquisas, nas quais será possível encontrar respostas aos questionamentos que se evidenciaram.

 

Desenvolvimento – Na terceira fase, começa a realização das atividades planejadas, que deve contar com a participação ativa dos alunos. Como eles serão os verdadeiros sujeitos da produção do saber, lembre-se que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua construção. Por isso, também se torna imprescindível realizar, periodicamente, relatórios parciais orais ou escritos a fim de acompanhar o desenvolvimento do tema.

 

Apreciação final – Na quarta fase, é necessário avaliar os trabalhos que foram programados e desenvolvidos, dando oportunidade ao aluno de verbalizar seus sentimentos sobre o desenrolar do projeto. Desse modo, a turma se organiza, constrói saberes e competências, opina, avalia e tira conclusões coletivamente. E é essa interação que promove o crescimento tanto no âmbito cognitivo quanto no social, afetivo e emocional.

 

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